Tratamento Fisioterapêutico do Avc

Tratamento Fisioterapêutico do Avc

O tratamento fisioterapêutico do AVC com técnicas convencionais é empregado há vários anos na prática clínica (como adjuvantes ou não), no entanto é difícil mensurar o quanto (tamanho do efeito) estas técnicas são úteis no tratamento do AVC, por várias razões metodológicas. Dentre elas, pode-se destacar a heterogeneidade das diversas modalidades, a dificuldade da padronização de um grupo “ativo” e um de fisioterapia “simulada” e a heterogeneidade do efeito terapêutico (variável ou flutuante).

Tratamento Fisioterapêutico do Avc – Bobath e Kabat

As técnicas mais conhecidas, como Bobath e Kabat, requerem alto nível de treinamento de seus aplicadores, sincronia entre o tempo preciso e a execução das manobras, além do resultado depender de características individuais, tais como adequação do nível de força, posicionamento e amplitude articular desenvolvida, que podem ser produzidas com variabilidade de um aplicador para outro. Tais fatores não invalidam sua execução, contudo, dificultam sua replicabilidade em ensaios clínicos controlados, que requeiram protocolos padronizados.

Uma metanálise publicada na database Cochrane sobre Tratamento Fisioterapêutico do Avc analisou 11 estudos que tratavam de técnicas fisioterapêuticas empregadas na reabilitação pós-AVC. Embora os autores concordem que a fisioterapia é uma peça chave da reabilitação, as conclusões do estudo apontam que não foi possível mensurar qual técnica seria mais eficaz que a outra, tendo sido recomendado que futuras pesquisas devem se concentrar em investigar a eficácia de técnicas claramente descritas e tratamentos padronizados para as tarefas desenvolvidas (Pollock et al., 2007).

Uma revisão sistemática sobre Tratamento Fisioterapêutico do Avc , analisou ensaios controlados e aleatorizados sobre o tratamento de várias terapias envolvendo membros superiores após AVC, aponta que há limitação, em termos de comprovação científica, dos benefícios de terapias convencionais como alongamento, exercícios passivos e mobilização. As falhas metodológicas envolvendo estes procedimentos, segundo o autores, não deixam claro o quanto de terapia deve ser fornecido, quem deve fornecê-la e como os pacientes devem ser orientados para que os ganhos funcionais sejam maximizados (Winter et al., 2011).

Os terapeutas muitas vezes procuram provas relativas a abordagens globais para o acidente vascular cerebral , em vez de buscar descrições de intervenções específicas,

acompanhadas das evidências para apoiá-las. A avaliação e aplicação de tais provas, bem como a replicação da pesquisa, é repleta de dificuldades devido a pobres descrições e documentação do conteúdo real da terapia a ser investigada (Pollock et al., 2007).

O Tratamento Fisioterapêutico do Avc com a Terapia de Restrição e Indução ao Movimento

A Terapia de Restrição e Indução do Movimento (TRIM), ou Terapia do Uso Forçado, propõe recuperar a função do Membro Superior (MS) parético por meio de tratamento padronizado e sistemático, efetivado de forma intensiva. O protocolo tradicional submete o paciente a tratamento durante duas semanas consecutivas (10 sessões), com 6 horas diárias de prática supervisionada no membro lesado associado ao uso de restrição, por meio de luva ou tipóia do Membro Superior (MS) não parético durante 90% do período de vigília, forçando o uso do membro afetado (Mattos & Veríssimo, 2013).

Segundo estudos encontrados na literatura sobre o Tratamento Fisioterapêutico do Avc , técnicas utilizadas na recuperação neurológica como o Conceito Neuroevolutivo Bobath e a Facilitação Neuromuscular Proprioceptiva, apresentam melhora da função do MS parético em pacientes com sequelas motoras decorrentes de AVC. No entanto, a TRIM é uma técnica que tem contribuído para esclarecer as possíveis teorias de recuperação neurológica, sendo eficaz no tratamento adjunto da reabilitação convencional (Sousa et al., 2012).

No que diz respeito aos mecanismos que conduzem à melhora funcional do membro parético através da TRIM, podem existir dois possíveis mecanismos: um, explicando a superação do “não-uso aprendido”, que é aquele que se desenvolve nos estágios iniciais pós-AVE e é o aprendizado do paciente em não usar o braço parético pela dificuldade de movimentá-lo, e outro que se refere à indução de uma reorganização cortical. Neste sentido, a TRIM possivelmente conduz à neuroplasticidade de várias formas ainda não bem definidas, entre elas, a formação de várias conexões anatômicas por meio de brotamentos neuronais; aumento da eficácia sináptica das conexões existentes ou, ainda, ao recrutamento de um grande número de neurônios na inervação da extremidade afetada adjacentes àqueles envolvidos antes da lesão (Brol, Bortolo & Magagnin, 2009).

A maioria dos recentes tratamentos desenvolvidos para assistir os pacientes após AVC, tal como a TRIM, incentiva atividades que envolvam atividades de vida diária, como requesito para evolução funcional. Estas são as recomendações de consenso na literatura, uma vez que este tipo de técnica tem mostrado evidências de bons resultados terapêuticos, em termos de aperfeiçoamento e destreza, necessária para execução das atividades durante a rotina dos pacientes (Barzel et al., 2013).

Um recente ensaio clínico controlado e randomizado sobre o Tratamento Fisioterapêutico do Avc analisou a eficácia da TRIM em um grupo de 44 pacientes após AVC comparados a um grupo controle. Os dados obtidos mostraram um efeito significativo no grupo tratado com TRIM (p=0,00), contudo os autores apontam a necessidade de estudos que avaliem estes benefícios em longo prazo (Singh & Pradham, 2013).

Terapias Biológicas no Tratamento Fisioterapêutico do Avc 

Eletroconvulsoterapia no Tratamento Fisioterapêutico do Avc 

A Eletroconvulsoterapia (ECT) é um método amplamente utilizado no tratamento de vários transtornos psiquiátricos. As suas principais limitações são decorrentes da deflexão que sofre o estímulo elétrico como consequência da resistência oferecida pela calota craniana e pelo tecido que a envolve. Para atravessar esta resistência e atingir o tecido cerebral, é necessário que se utilize uma carga elétrica relativamente alta. Como consequência, a estimulação é dolorosa (pelo estímulo de receptores de dor no escalpe), especialmente se não se consegue atingir o limiar convulsígeno (caso este seja atingido, ocorre uma amnésia retrógrada na qual o paciente não se recorda da dor do estímulo). Por este motivo, há necessidade de uma indução anestésica geral de curta duração para a sua aplicação. Pelo mesmo motivo, o estímulo é pouco localizado, limitando a sua utilização em estudos de neurofisiologia (Rosa et al., 2004a).

Ao longo dos anos houve uma evolução muito grande na técnica de aplicação da ECT, incluindo a utilização de anestesia geral breve, refinamentos nos parâmetros elétricos utilizados, a introdução da ECT unilateral e um melhor controle da carga individual e da duração de cada crise. A única grande limitação da ECT é a pouca capacidade de se localizar a estimulação. Mesmo com a estimulação unilateral, a corrente não é focal, mas difusa e profunda no tecido cerebral. O principal motivo para isso é a resistência que a calota craniana oferece à passagem do estímulo elétrico, sendo necessárias cargas altas para que se atinja o limiar convulsígeno. Como conseqüência, os efeitos colaterais cognitivos (amnésia, confusão pós-ictal) são a principal limitação para o uso da ECT na atualidade (Rosa et al, 2004b).

Contudo, a eletroconvulsoterapia pode ser interessante quando há comorbidade com depressão e, principalmente, risco de suicídio, não sendo indicada para sintomas obsessivo-compulsivos isolados dos sintomas depressivos (Shavitt et al., 2001).

Tratamento Fisioterapêutico do Avc

tratamento fisioterapeutico do avc

tratamento fisioterapeutico do avc

 

tratamento fisioterapeutico avc

tratamento fisioterapeutico avc

tratamento fisioterapeutico de avc

tratamento fisioterapeutico de avc

tratamento fisioterapeutico no avc

tratamento fisioterapeutico no avc

Partilha nas redes sociais
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •