Factores de Risco do AVC

Factores de Risco do AVC

Os factores de risco do AVC dividem-se em  factores de risco do AVC não modificáveis e  factores de risco do AVC modificáveis. De acordo com a OMS, o AVC é uma doença de causa multifactorial. Isto é, uma combinação de factores de risco influencia a probabilidade de um indivíduo vir a ter um AVC. Define factor de risco como um “aspecto do  comportamento pessoal ou do estilo de vida, da exposição ao meio ambiente, ou uma característica própria ou herdada do indivíduo que se sabe, tendo por base a evidência epidemiológica, estarem associados com condições importantes de se prevenir para proteger a saúde” .

Nos quadros seguintes são identificados os factores de risco do AVC, não modificáveis e modificáveis, mais importantes para o desencadeamento do AVC.

 

Quadro 1 – Factores de Risco do AVC Não Modificáveis 

 

IDADE. Em toda a revisão literária considerada sobre factores de risco do avc, o factor idade é o mais importante para o desenvolvimento do AVC, não devendo contudo, tal como dizem Araújo, Silva, Moreira e Bonilha (2008), encarar este factor como uma decorrência natural do envelhecimento.

. Segundo Correia (2004) cit in Ferreira, Fernando, Ferreira, Rodrigues e Cruz (2006) “estima-se  que em cada 10 anos depois dos 55 anos, o risco de AVC duplique” (p. 8).

. Em Primary Prevention of Ischemic Stroke prediz-se que o risco de AVC antes dos 50 anos de idade é duas vezes superior nas pessoas com peso à nascença inferior a 2,5 kg (Goldstein et al.,  2006 cit in Ferreira et al., 2006).

GÉNERO. Os homens apresentam maior incidência de AVC do que as mulheres, para a mesma  idade  (Correia et al., 2004 cit in Ferreira et al., 2006).

. O aumento da taxa de AVC nas mulheres está associado a Diabetes Mellitus (DM) e o uso de contraceptivos orais aumenta em 6 vezes o risco de AVC sobretudo em mulheres com enxaqueca, HTA, DM ou dislipidémia (Nitrini e Bacheschi, 1999 cit in Araújo et al., 2008).

. De acordo com o National Institute of Neurological Disorders and Stroke [NINDS] (2010), a gravidez, o parto e a menopausa colocam a mulher numa situação de risco para AVC devido às alterações hormonais.

. A gravidez aumenta o risco entre 3 a 13 vezes e estudos estão a ser levados a cabo de forma a determinar a importância de terapêutica à base de estrogénio na menopausa que pode reduzir o risco de AVC recorrente e até mesmo a morte, uma vez que o estrogénio aumenta os níveis da lipoproteína de alta densidade (HDL) e reduz os níveis de lipoproteína de baixa densidade (LDL) (NINDS, 2010).

HEREDITA- RIEDADE.   A hereditariedade está também associada a um maior risco de AVC.

. Goldstein et al., (2006) e Hankey (2006) cit in Ferreira et al., (2006), explicam que “pode  acontecer pela transmissão mendeliana (único gene) de doenças hereditárias raras ou pela transmissão de factores poligénicos como a facilidade de desenvolver determinados factores de risco vascular (…) ou a susceptibilidade aos seus efeitos” (p. 8).

 

Quadro 2 – Factores de Risco do AVC Modificáveis

HIPERTENSÃO ARTERIAL (HTA). A hipertensão arterial (HTA) aumenta em 3 a 4 vezes o risco de AVC podendo ser considerada como responsável de metade de todos os casos (André, 1999 cit in Araújo et al., 2008).

.  Por cada 3 mmHg de descida há uma diminuição de risco de 20% (Ezekowitz, 2006 cit in

Ferreira, 2006).

TABAGISMO. Quanto ao tabagismo, este aumenta em cerca de 2 a 4 vezes a probabilidade de ter um AVC, chegando-se mesmo a esclarecer que 2 ou 3 anos após a suspensão do consumo de tabaco, as probabilidades são as mesmas às de um não-fumador (Rocha et al., 2002 e Pires et al., 2004 cit in Araújo et al., 2008).

.  O tabagismo, a seguir à HTA, constitui a segunda causa de mortalidade a nível mundial, relativa a factores de risco modificáveis (Ezzati et al., 2006 cit in Ferreira et al., 2006).

HIPERCOLES- TEROLÉMIA. Quanto à hipercolesterolémia está também relacionada com o risco de AVC isquémico, uma vez que contribui directamente para o desenvolvimento da aterosclerose.

. A aterosclerose das artérias extra e intracraniana é responsável por cerca de dois terços dos  AVCs isquémicos (Tannouri, 2006).

. A estenose carotídea ateromatosa duplica na população o risco de AVC isquémico independentemente de esta estar associada a outros factores de risco (Straus et al., 2002 e Goldstein et al., 2006 cit in Ferreira et al., 2006).

. Para o desenvolvimento de doença carotídea aterosclerótica, Tannouri (2006), destaca como factores de risco: a idade, sexo, hipertensão arterial sistémica, dislipidémia, diabetes mellitus, tabagismo, história familiar de AVC, doença cardíaca, doença vascular periférica e doença renal.

. Rocha et al. (2002) cit in Araújo et al. (2008) consideram que não é comum a dislipidémia ser aceite como factor de risco, até porque o papel dos triglicerídeos como factor de risco para o AVC ainda não está muito documentado (Tanne et al., 2001 cit in Ferreira et al., 2006).

PATOLOGIA CARDÍACA. Ferreira et al. (2006) referem-se a Ferro (2003) e Goldstein et al. (2006) ao considerarem a fibrilhação auricular como sendo um enorme factor de risco de AVC por várias razões: a incidência (responsável por cerca de ¼ dos AVC´s em doentes com mais 80 anos), a gravidade (enfartes maiores e incapacitantes), a recidiva e a mortalidade.

. Vickrey et al. (2002) cit in Ferreira et al. (2006) consideram que o “risco de ocorrência / recorrência de AVC encontra-se substancialmente aumentado após um AIT ou AVC prévio. Também a ocorrência de doença coronária, enfarte agudo do miocárdio ou doença arterial periférica, enquanto marcadores de doença ateromatosa, são preditores de AVC” (p. 14).

. Tannouri (2006), após a analisar vários autores, conclui que as causas mais comuns de AVC isquémico são a aterosclerose e os êmbolos de origem cardíaca, em que os êmbolos cerebrais de uma causa cardíaca são responsáveis por até um terço dos AVC isquémicos. “A formação de trombo e a liberação de tromboêmbolos a partir do coração são facilitadas por arritmias e anormalidades estruturais das válvulas e das cavidades”(p. 1).

DIABETES MELLITUS. Os doentes diabéticos têm uma maior susceptibilidade à aterosclerose e uma maior prevalência  de factores de risco aterogéneos como HTA (que ronda os 60%) e dislipidemia (Goldstein et al., 2006 cit in Ferreira et al., 2006).
ÁLCOOL. O consumo excessivo constitui um factor de risco para todos os tipos de AVC; ainda assim não há nenhum estudo que comprove o benefício de recomendar o consumo de álcool aos que o não fazem (Elkind et al., 2006 cit in Ferreira et al., 2006).

. Num estudo relativo ao consumo de álcool: Moderate alcohol consumption reduces risk of ischemic Stroke, os anteriores autores, consideram que, em quantidade moderada (definido como 1 bebida para mulheres e 2 para homens) tem um efeito protector devido às propriedades antioxidantes do resveratrol que pode ser encontrado nas sementes da uva e nas películas da uva preta, considerando-se o efeito protector mais para vinho do que para cerveja.

OBESIDADE. A obesidade, além de estar associada a um maior risco de AVC, tem correlação com outros factores de risco, tal com HTA e DM potenciando sob a forma de sinergia a probabilidade de AVC.

. Por outro lado, a dieta pode influenciar o risco, sobretudo porque pode ser responsável pelo controle de alguns factores tais como HTA, DM, dislipidémia e obesidade.

SEDENTA- RISMO. Quanto à falta de exercício físico, várias são as fontes que consideram como mais um factor de risco para o desenvolvimento de AVC, devendo-se portanto evitar o sedentarismo.

 

Cancela (2008) considera que apesar dos factores de risco do avc amplificarem a probabilidade de um AVC, muitos deles podem ser reduzidos com tratamento médico ou mudança nos estilos de vida.

O AVC é portanto susceptível de prevenção.

A prevenção do AVC pode ser feita de três maneiras:

  • A primeira é a através da prevenção primária, facultando orientações para os indivíduos manterem o peso corporal apropriado, controlar os valores de colesterol e  renunciar ao tabagismo;
  • A segunda é através da prevenção secundária, sendo necessário tratamento médico bem como a vigilância e controle da diabetes, hipertensão e patologia coronária;
  • A terceira maneira é a prevenção terciária; que se destina a indivíduos com  história prévia de AVC sendo portanto, necessário prevenir complicações relacionadas com a presença das alterações cerebrais prevenindo AVC recorrente.

Se por um lado, Araújo et al. (2008) consideram o facto de nos últimos anos termos assistido a um aumento na incidência do AVC, consequência do aumento da esperança média de vida bem como do estilo de vida menos saudável dos indivíduos, por outro lado Azeredo (2000) discorda, considerando que estamos perante uma diminuição global da incidência do AVC, devida a um melhor controlo dos factores de risco associados, através de campanhas sensibilizadoras e preventivas com vigilância da hipertensão arterial, da diabetes mellitus, entre outros e as quais fomentam o diagnóstico precoce e o tratamento mais adequado para tais patologias, bem como prevenção de comportamentos aditivos. Deve ser dada relevância ao rastreamento, como uma medida profilática, das três causas imediatas de AVC, ou seja, a doença carotídea, a arritmia cardíaca e a hipertensão. Tannouri (2006) também considera que as sequelas provocadas pelos AVC podem ser reduzidas através da sua prevenção, com o tratamento ou com a reabilitação; no entanto pondera o facto de o tratamento dos AVC´s “com agentes trombolíticos resulta em benefício apenas para 10% das poucas vítimas que são elegíveis para tratamento; e a reabilitação é incerta, demorada, (…) incompleta” (p.20). O mesmo autor considera haver uma taxa de mortalidade de 28% e em 15-30% dos doentes as sequelas são permanentes, concluindo portanto que a maneira mais eficaz de reduzir as consequências do AVC é antes de mais a sua prevenção.

 

 

Partilha nas redes sociais
  •  
  •  
  •  
  •  
  •  
  •