Como evitar o avc?

Como evitar o avc?

Evitar o avc assenta na prevenção primária do AVC?

—A prevenção primária assenta no facto de se saber que existem condições que aumentam a probabilidade da ocorrência de determinada doença. Assim, conseguimar evitar o AVC fazendo a prevenção primária. Se
detectarmos, tratarmos ou controlarmos o melhor possível doenças que podem provocar AVC, como
as estenoses carotídeas ou a fibrilação auricular, ou problemas que sabemos serem factores de risco modificáveis de AVC, como por exemplo, a hipertensão arterial, o tabagismo, a diabetes Mellitus e a hipercolesterolemia.

Para evitar o AVC a pressão arterial deve ser avaliada regularmente. Recomenda-se que a hipertensão arterial seja controlada através de modificações do estilo de vida e de uma terapêutica farmacológica individualizada. Com o objectivo de obter valores normais de 120/80 mmHg

. A medicação antihipertensora está indicada para doentes pré-hipertensos (120-139/80-90 mmHg) com insuficiência cardíaca congestiva, enfarte do miocárdio, diabetes ou insuficiência renal crónica.

A glicemia deve ser avaliada regularmente. Recomenda-se que os diabéticos sejam tratados através
de modificações do estilo de vida e de uma terapêutica farmacológica individualizada.

Nos doentes com diabetes, a hipertensão arterial deve ser rigorosamente controlada tendo como objectivo
valores abaixo de 130/80 mmHg. Quando possível, o tratamento deve incluir um inibidor da enzima conversora da angiotensina ou um antagonista dos receptores da angiotensina.

O colesterol sérico deve ser avaliado regularmente. Recomenda-se o controlo de valores elevados
de colesterol sérico com modificações do estilo de vida (Classe IV, Nível C) e com uma estatina.

– Recomenda-se que o tabagismo seja desencorajado.

– Recomenda-se que o consumo de quantidades elevadas de álcool seja desencorajado.

– Recomenda-se actividade física regular

– Recomenda-se uma dieta com baixo teor de sal e gorduras saturadas, elevado teor de frutos e vegetais e rica em fibras.

– Recomenda-se uma dieta de redução de peso nos indivíduos com um índice elevado de massa corporal.

– Não se recomendam suplementos de vitaminas antioxidantes (Classe I, Nível A).

– Não se recomenda terapêutica de substituição hormonal para prevenção primária do AVC (Classe
I, Nível A).

 

 Evitar o AVC e a medicação

Quando devemos passar da simples modificação dos estilos de vida para a terapêutica farmacológica?

Relativamente aos factores de risco, tudo depende da gravidade de cada um e, por outro lado, do risco global do doente. Idealmente, deveríamos actuar na prevenção dos próprios factores de risco através da modificação dos estilos de vida, o mais precocemente possível. Sabe-se que um estilo de vida saudável, consistindo em abstinência tabágica, um índice de massa corporal normal/baixo, consumo moderado de álcool, exercício físico regular e dieta saudável, associa-se a uma redução de risco de AVC.

Mas para alémdesta modificação de hábitos, temos que tratar convenientemente as doenças de risco quando elas surgirem.

Por exemplo, não vamos deixar de tratar uma diabetes mellitus ou uma hipertensão arterial a partir do momento em que consistentemente encontramos valores alterados, porque sabemos que as consequências de um mau controlo são muito nefastas. Não vamos deixar de recomendar a cessação tabágica em se neces
sáriom dar apoio farmacológico na desabituação.
Vamos tentar impedir valores elevados de colesterol que não respondem à dieta. Vamos fazer profilaxia de cardioembolismo em determinadas doenças cardíacas. Mas para além do controlo individual de cada um destes factores, devemos ter em atenção o risco global do doente, sendo mais exigentes nos alvos a atingir em doentes com múltiplos factores de risco vascular.
Que medicamentos são, hoje, os pilares do tratamento para evitar o AVC? Há consenso em relação a todos eles ou existe alguma controvérsia (estou a lembrar-me da aspirina)?
Em relação à prevenção primária, para além dos fármacos necessários ao tratamento dos factores
de risco clássicos, há a considerar, em alguns casos, a terapêutica antitrombótica, cujas recomendações se descrevem abaixo.
E, por vezes, pode ainda ser necessário tratamento cirúrgico, no caso de uma placa aterosclerótica carotídea significativa em doente com elevado risco de AVC, particularmente se tiver baixo risco cirúrgico, e num centro com baixa morbilidade nesta intervenção.
Evitar o AVC – ESO Recomendações – prevenção primária e terapêutica antitrombótica
Recomenda-se aspirina em baixa dose em mulheres com idade igual ou superior a 45 anos que não tenham risco aumentado de hemorragia intracerebral e que tenham boa tolerância gastrointestinal; contudo, o seu efeito é muito pequeno (Classe I, Nível A).
Recomenda-se que a aspirina em baixa dose seja considerada nos homens para prevenção primária de enfarte do miocárdio; contudo, não reduz o risco de AVC isquémico (Classe I, Nível A).
Não são recomendados outros agentes antiagregantes plaquetares, para além da aspirina, na prevenção primária de AVC (ClasseIV, GCP). A aspirina pode ser recomendada a doentes com FA não-valvular
com menos de 65 anos e sem factores de risco vascular .
Se não estiver contra-indicado, recomenda-se a doentes com FA não valvular, com idade entre os
65-75 anos e sem factores de risco vascular, aspirina ou um anticoagulante oral (international
normalized ratio [INR] 2.0-3.0)(Classe I, Nível A).
Se não estiver contra-indicado, recomenda-se a doentes com FA não-valvular, com idade superior
a 75 anos ou com idade inferior, mas que tenham factores de risco como hipertensão arterial, disfunção ventricular esquerda ou diabetes mellitus, um anticoagulante oral (INR 2.0-3.0) (Classe I,Nível A).
Em indivíduos com FA, com mais de 80 anos, recomenda-se anticoagulação oral (INR 2.0-3.0)
(Classe I, Nível A). Recomenda-se a doentes com FA, aos quais não se possa prescrever anticoagulação oral, a prescrição de aspirina (Classe I, Nível A).
Recomenda-se que doentes com FA e próteses valvulares cardíacas mecânicas recebam anticoagulação a longo prazo com um INR alvo consoante o tipo de prótese, mas não inferior a INR 2-3 (Classe II, Nível B).
Recomenda-se aspirina em baixa dose aos doentes com estenose assintomática> 50% da artéria carótida interna (ACI), para reduzir o risco de eventos vasculares (Classe II, Nível B).
Nota:
Em 2009, foi publicada uma recomendação um pouco diferente para a aspirina, pela US Preventive Services Task Force, propondo em prevenção primária a aspirina no homem de 45-79 anos para prevenção de enfarte de miocárdio, e na mulher dos 55-79 anos para prevenção de enfarte cerebral.
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