Cirurgia hérnia

A equipa de reabilitação

 

 

 

Uma vez que um AVC pode afectar tantos aspectos da vida do indivíduo, a  reabilitação deve ser feita por uma equipa interdisciplinar de profissionais de saúde de diversas áreas, sempre que possível com o envolvimento de familiares e amigos. Fazem parte desta equipa médica, enfermeiros, fisioterapeutas, terapeutas da fala, terapeutas ocupacionais e recepcionais, psicólogos e assistente social. (31)

Os serviços de reabilitação durante o internamento são eficazes na melhoria da sobrevida a curto prazo, capacidade funcional, e maior independência aquando da alta; no entanto, Evans et al encontrou uma falta de benefícios a longo prazo e sugeriu que a terapia seja continuada em casa ou outros locais, ao invés de ser interrompida no momento da alta. (32)

Os  doentes  que  não  necessitam  de  qualquer  tipo  de  Serviços  de  Reabilitação   e recebem alta dos cuidados agudos para casa (ou no caso dos doentes profundamente incapacitados, para um lar de idosos) requerem follow-up com o seu prestador de cuidados primários dentro de 1 mês após a alta. (7)

 

 

 

 

Médico

 

 

 

O médico tem um papel integrante na gestão multidisciplinar e cuidado a longo prazo do doente de AVC, e que inclui a recomendação do melhor programa de reabilitação que se adeque às necessidades particulares de cada indivíduo. (23)

Trabalhando na comunidade, tem particular importância na resolução de problemas, tratamento de co-morbilidades do doente e apoio aos cuidadores que podem também ter problemas pessoais de saúde. Tem conhecimento dos serviços disponíveis tanto no hospital como na comunidade, desempenhando o papel de coordenar a interacção entre serviços de saúde, serviços sociais e os diferentes profissionais intervenientes na reabilitação. (33) É

responsável por decisões críticas ao longo da evolução do doente, nomeadamente se e onde admitir o doente. O médico deve comunicar à equipa hospitalar o diagnóstico base, pré-morbilidades, factores sociais relevantes e historial médico. Tem também um papel importante na alta do doente para a comunidade, devendo receber a informação adequada da equipa hospitalar. (31) O Clínico Geral apresenta um papel chave nos cuidados médicos contínuos do doente, educação, apoio, alterações do estilo de vida e prevenção secundária  e está bem posicionado para identificar uma possível deterioração funcional após a alta e providenciar terapia adicional. (5,23)

 

 

 

 

Enfermeiros

 

 

 

Os enfermeiros têm em consideração as necessidades gerais do doente e da família, integrando os cuidados na dimensão física, psicológica e social. (34)

Os enfermeiros de reabilitação ajudam os doentes a readquirir as capacidades para desempenhar as AVD e educam os doentes na sua rotina de saúde, como por exemplo, seguir um plano de medicação, limpeza pessoal, transferência da cama para uma cadeira- de-rodas e necessidades particulares (ex. doentes diabéticos), orientando igualmente no sentido de reduzir os factores de risco. Cabe-lhes também dar informações, apoio e orientações à família e a outras pessoas envolvidas na prestação de cuidados. (5,34,35)

Têm uma actuação próxima na participação das tarefas de cuidado pessoal dos doentes, como o banho ou o controlo da continência. Muitos doentes readquirem a capacidade de controlar a continência através de estratégias que são aprendidas durante a reabilitação, como exercícios para fortalecer os músculos pélvicos e seguir um horário miccional. Se a incontinência mantém-se os enfermeiros podem ensinar o cuidador a usar cateteres e a tomar medidas higiénicas especiais para prevenir outros problemas de saúde relacionados com a incontinência, como lesões ou infecções da pele ou do tracto urinário. (17)

Além disso, o apoio domiciliário é um serviço que o enfermeiro pode continuar a prestar, orientando o doente e estimulando-o a realizar exercícios em casa. Os cuidados de enfermagem de reabilitação domiciliários deverão estar organizados e serem contínuos, assegurando aos doentes de AVC e às suas famílias, um papel activo no processo de reabilitação. (34,35)

 

 

 

 

Fisioterapeutas

 

 

 

Os fisioterapeutas são especializados no tratamento das disfunções resultantes dos distúrbios motores e sensoriais provocados pelo AVC. (36) Eles fazem uma avaliação da força, resistência, amplitude de movimentos, alterações da marcha e défices sensoriais, e elaboram um plano de reabilitação individualizado que tem como objectivo promover a recuperação do controlo motor, a independência nas tarefas funcionais, optimizar a estimulação sensorial e prevenir complicações secundárias, como o encurtamento dos tecidos moles. (5,36)

A fisioterapia permite ao doente de AVC readquirir o uso dos membros afectados, desenvolver mecanismos compensatórios para reduzir o impacto dos défices residuais e estabelecer programas de exercícios para ajudar a manter essas novas capacidades aprendidas. (37)

De uma forma geral, o fisioterapeuta coloca ênfase na prática de movimentos isolados, alternando repetidamente de um tipo de movimento para outro, e ensaiando movimentos complexos que requerem uma grande capacidade de coordenação e equilíbrio, como descer ou subir escadas e mover-se entre obstáculos. Doentes incapazes de manter o ortostatismo, podem ainda assim realizar estes movimentos repetitivos em sessões de hidroterapia ou utilizando estruturas de suporte. (33,36) Uma tendência recente na fisioterapia baseia-se na eficácia da realização de actividades direccionadas a um objectivo, como um determinado jogo, para promover a coordenação. (38) Outras estratégias utilizadas pelos   fisioterapeutas

incluem a terapia motora induzida pela restrição do uso do membro saudável, biofeedback, treino electromecânico da marcha e a estimulação eléctrica funcional, que estimulam o cérebro à reorganização e recuperação das funções. (39) Esta última técnica consiste na utilização de uma pequena sonda que transmite um estímulo eléctrico a nervos do membro paralisado, permitindo, por exemplo, aos doentes com neglect a reaquisição da noção dos estímulos na metade corporal afectada. (40)

Muitos pacientes necessitam de dispositivos auxiliares, equipamentos de adaptação, auxiliares de locomoção, cadeiras de rodas e órteses para maximizar a independência funcional. (41)

 

 

 

 

Terapeutas ocupacionais

 

 

 

Da mesma forma que os fisioterapeutas, os terapeutas ocupacionais procuram promover as capacidades motoras e sensoriais. (36) Eles ensinam aos doentes os mecanismos para levar a cabo actividades que fazem parte da rotina diária, como cuidados pessoais, preparação de refeições e limpeza da casa. Eles podem ensinar aos doentes a melhor forma de adaptarem a sua condição para conduzir um carro e permitir que estes tenham aulas de condução. (33) O processo de aprendizagem de actividades de maior complexidade pode passar pela sua divisão nos seus componentes mais simples,  praticando cada parte, e por fim procurando executar toda a sequência da acção. Esta estratégia promove a coordenação e permite aos doentes com apraxia realizar actividades planeadas. (42)

Por outro lado, também ensinam os doentes a desenvolver mecanismos compensatórios e alterar elementos do seu meio que limitam as actividades diárias. (5) Por exemplo, doentes com o uso de apenas uma mão podem substituir os botões da roupa por fechos de velcro. (43) Também ajudam as pessoas a fazer alterações nas suas casas   para

aumentar a segurança, remover barreiras e facilitar a locomoção, como instalar barras de suporte no WC. (42)

Os terapeutas ocupacionais estimulam também os doentes a regressar às actividades que lhes davam prazer antes do AVC e trabalham com eles para optimizar o seu tempo de lazer de forma a promover a saúde, independência e qualidade de vida. (37)

 

 

 

 

Terapeutas da fala

 

 

 

A terapia da fala visa maximizar a comunicação e reduzir as dificuldades linguísticas e motoras do discurso resultantes do AVC. O terapeuta da fala ajuda o doente com afasia a melhorar a linguagem ou a desenvolver formas alternativas de comunicar. (12) Também ajuda a promover a capacidade de deglutição (44) e trabalha com o doente no sentido de desenvolver competências sociais e de resolução de problemas necessárias para lidar com as repercussões do AVC. (12)

Múltiplas técnicas foram desenvolvidas para trabalhar os doentes com afasia. Algumas formas de terapia a curto prazo aumentam substancialmente a compreensão. (46) Exercícios intensivos como repetição de palavras, seguir indicações e exercícios de leitura ou escrita formam a base da terapia da fala. (19) Pode ter benefício o treino e prática do discurso, assim como a criação de pistas ou mnemónicas que ajudam o doente a lembrar-se de palavras específicas. O uso de tabelas de símbolos ou linguagem gestual são algumas das estratégias que podem ajudar a contornar as limitações de comunicação. (12) Os estudos sugerem que a terapia da fala deve ser de entre duas a oito horas por semana. (20)

Os terapeutas da fala utilizam técnicas de imagem não invasivas para fazer o estudo do processo de deglutição e identificar o ponto exacto limitante. (44) A dificuldade na deglutição tem muitas possíveis causas, incluindo o atraso do reflexo deglutivo, a incapacidade de manipular os alimentos com a língua, ou a insensibilidade para detectar restos alimentares que ficam alojados na cavidade bucal. (12) Quando a causa é descoberta

o terapeuta da fala trabalha com o doente para conceber estratégias para ultrapassar ou minimizar esse défice. Por vezes, uma simples mudança postural aquando da refeição pode facilitar o processo. Por outro lado, a deglutição pode ser melhorada pela alteração da textura dos alimentos; por exemplo, líquidos muito diluídos que por vezes causam asfixia podem ser espessados. Utilizar quantidades reduzidas a cada garfada e mastigar lentamente podem também ajudar a aliviar a disfagia. (33,44)

A resposta  dos  pacientes  afásicos  à  terapia  da  fala  está  muito  relacionada  com a  iniciação  precoce  da  terapia  (46)  e  quantidade  de  sessões   realizadas.   (45)   Terapia pode ser necessária a longo prazo,  uma  vez  que  o  resultado  da  intervenção está mais directamente relacionado com a intensidade e duração. (47)

 

 

 

 

Psicólogo/Psiquiatra

 

 

 

O papel do Psicólogo Clínico é fornecer informações e apoio ao paciente, familiares e  à equipa de reabilitação, sobre as repercussões psicológicas do AVC. (5)

Um dos objectivos principais no trabalho do psicólogo passa pela avaliação e intervenção na modificação de comportamentos que estejam a interferir no bem-estar da pessoa e/ou de quem a rodeia. Se uma pessoa está em sofrimento devido a uma problemática ou acontecimento de vida, a terapia poderá ajudá-la a reencontrar o equilíbrio emocional e a desenvolver um processo de aprendizagem interna que lhe permita lidar mais facilmente com adversidades futuras. (48,49)

O diagnóstico de um estado de humor anormal é difícil, sobretudo na presença de distúrbio de fala. Por outro lado, o diagnóstico diferencial também é difícil, especialmente porque diferentes anormalidades podem coexistir. (27) O tratamento pode incluir medicação antidepressiva ou terapia cognitivo-comportamental. (49)

A reabilitação cognitiva concentra esforços para ajudar os doentes a compreender as suas  limitações  e  a compensar ou  restaurar  as funções  perdidas  de forma  a melhorar a

adaptação e facilitar a independência. O psicólogo clínico procederá a uma avaliação para identificar os défices e capacidades cognitivas, considerando-o dentro do contexto pessoal e social do indivíduo. Essa intervenção pode também envolver a educação e apoio do cuidador. (50)

Os Psiquiatras ocupam-se dos distúrbios comportamentais e emocionais complexos, nomeadamente a depressão. Os antidepressivos como os inibidores selectivos da recaptação da serotonina (SSRIs) e os heterocíclicos podem melhorar o humor, mas existe menos evidência de que possam curar um episódio depressivo major ou prevenir a depressão após o AVC. Os SSRIs são melhor tolerados do que os heterocíclicos. (51)

 

 

 

 

Assistente social

 

 

 

A actuação do Serviço Social dá-se por meio da disponibilização de informações sobre os princípios e directrizes do SNS, direitos e deveres sociais, orientações e  encaminhamento aos serviços de apoio domiciliar e outros recursos da rede social, associações de caridade e grupos voluntários. (5)

O Assistente Social deve ter uma compreensão da doença e como aquela afecta o doente, cuidador e família. Deve ainda estar atento aos efeitos emocionais e psicológicos do AVC de forma a melhor compreender as necessidades do doente. (52) Vai estar envolvido em diferentes fases do processo de reabilitação, dependendo dos problemas existentes. Alguns doentes irão necessitar de aconselhamento e informações acerca de questões financeiras, relacionamentos ou problemas habitacionais, prestando igualmente assistência no planeamento do regresso a casa ou a outra instalação que melhor se adeque às necessidades do doente. (31) Deve ter conhecimentos dos recursos existentes de forma a organizar o cuidado apropriado, na comunidade ou em lares residenciais e de acordo com  as necessidades. (53) Vai trabalhar com o doente e família a longo prazo para se  assegurar

que as exigências da reabilitação estão a ser cumpridas nos diversos aspectos  e  para apoiar na organização e reavaliação de qualquer dificuldade que possa surgir. (52)

Forte apoio social demonstrou melhorar o outcome, nomeadamente nos doentes com défices físicos e cognitivos mais graves. (53)

 

 

 

 

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