Avc em jovens

Avc em jovens

AVC’ em  jovens é considerado uma patologia rara, com uma incidência que varia entre 5 e 10% do total de AVC’s, aumentando os avcs com a idade.

AVC’ em  jovens – As causas do avc em jovens são mais diversas que na população mais idosa, requerendo um estudo mais exaustivo e constituindo frequentemente um desafio clínico. Os estudos publicados sugerem que a identificação do factor causal é possível em 55-93% dos adultos jovens com AVC, mas é variável de estudo para estudo, dependendo dos critérios usados na sua classificação.

O AVC em jovens (dos 18 aos 45 anos)  varia de 3,9% a 13,5%, com predomínio do AVC isquémico, embora alguns estudos reportem taxas na ordem dos 19 a 30%, tornando-se portanto uma patologia de relevo neste grupo etário. Verifica-se um predomínio do sexo feminino até aos 35 anos e do sexo masculino após essa idade e um aumento crescente da incidência do AVC isquémico, em ambos os sexos, a partir dos 35 anos, atribuído principalmente a uma maior incidência de aterosclerose precoce.

A pesquisa de factores de risco cardiovascular em Avc em jovens demonstrou na nossa população uma elevada prevalência com 86,7% dos doentes com pelo menos um factor de risco identificado. Mesmo se considerarmos cada factor derisco individualmente verifica-se uma prevalência bastante superior à descrita na literatura para este grupo etário.

Ao considerarmos apenas a subpopulação com AVC isquémico esta percentagem é ainda maior (94%), o que
justifica que a principal etiologia, do AVC isquémico nesta população tenha sido a aterosclerose precoce em 42,9% destes doentes: ateromatose de grandes vasos em 28,6% (dos quais 30% já com evidência imagiológica de doença aterosclerótica difusa) e lacunares em 14,3%, bastante superior à habitualmente descrita.

Verificou-se ainda que o Avc em jovens é uma etiologia particularmente importante nas classes etárias dos 35 aos 45 anos. A fibrodisplasia e a dissecção arterial foram responsáveis por 11,4% dos eventos, indo de encontro ao previamente descrito (entre 2,1% e 21%). Na nossa população a incidência de AVC de etiologia cardio-embólica foi bastante inferior ao habitualmente descrito (19 a 35%), o que poderia sugerir uma investigação não exaustiva destes doentes.

No entanto, o ecocardiograma só não foi efectuado em seis doentes porque: quatro apresentavam factores de risco cardiovascular múltiplos com alterações significativas no ecodoppler carotídeo ou enfarte lacunar, considerou-se um de causa cardio-embólica por fibrilação auricular e outro faleceu. Nos doentes cuja etiologia não foi encontrada o ecocardiograma transtorácico foi efectuado em todos e quatro efectuaram ecocardiograma transesofágico. Admite-se que nestes doentes, deveria ser efectuado por rotina ecocardiograma transesofágico, precocemente, o que nem sempre é viável no nosso hospital por exigir referência a outra instituição.

Em 25,7% dos doentes não foi possível determinar a etiologia do AVC em jovens. Na literatura a percentagem de casos de etiologia indeterminada varia de 4 a 27% , dependendo da definição da etiologia.
Alguns autores consideram que o uso de anticoncepcionais orais (ACO) é por si só um factor de risco suficiente para se lhe atribuir a ocorrência do AVC, na ausência de outras causas identificáveis. O Collaborative
Group for the Study of Stroke in Young Women afirma que o uso de ACO se associa a um risco nove vezes maior,
risco esse que aumenta significativamente se se associa a enxaqueca, tabagismo ou outros factores de risco. Gautier et al consideraram que a toma de ACO foi a causa de 43% dos AVC’s isquémicos nas mulheres jovens incluídas no seu estudo.

Na nossa população 77,8% das mulheres que sofreram AVC isquémico tomavam ACO. O consumo de álcool também tem sido considerado, por alguns autores, como factor de risco cardiovascular pelo risco de indução de arritmias cardíacas, aumento da pressão arterial e da agregabilidade plaquetária, redução do fluxo sanguíneo cerebral por estimulação da contracção do músculo liso vascular e alteração do metabolismo cerebral.

No nosso estudo 17% dos doentes tinham hábitos alcoólicos.

A taxa de mortalidade precoce (na primeira semana) foi de 11,4%, um número semelhante ao descrito na literatura (variação de 5 a 17%).
Na nossa população o AVC hemorrágico correspondeu a 22,2% do total de AVC’s diagnosticados neste grupo
etário, um número semelhante ao apresentado na literatura revista.

Houve uma maior incidência no sexo feminino, mas devido ao reduzido número de casos não é valorizável. Ocorreu em idades mais jovens que o AVC isquémico, mas também estes doentes apresentavam na
sua maioria factores de risco cardiovascular: HTA (cinco doentes), dislipidemia (um doente) e uso de ACO (um
doente); embora 40% não apresentassem qualquer factor de risco (provavelmente por pertencerem a grupos etários mais jovens).

Provavelmente, pelo número reduzido de doentes, foi possível determinar a etiologia em todos os casos, excepto no doente que faleceu precocemente. Em 50% a etiologia foi hipertensiva, ou seja, um número ligeiramente superior ao descrito na literatura1,4,8, mas que se enquadra na elevada prevalência de HTA nestes doentes. A taxa de mortalidade no AVC hemorrágico foi elevada (30%), mas dentro dos valores esperados para este tipo de patologia.

Resumo do tema AVC em jovens

A prevalência da doença vascular cerebral, em grupos etários jovens é significativa.
Na população estudada, a aterosclerose precoce, associada a uma incidência de factores de risco cardiovascular
superior à descrita na literatura, para este grupo etário, foi o principal factor etiopatogénico.
O prognóstico da doença cerebrovascular é mais favorável em idades jovens, no entanto, no nosso estudo, a mortalidade atingiu 15,6% e 9% dos doentes ficaram gravemente incapacitados.
Estes dados remetem-nos para a necessidade de optimizar os cuidados de saúde primários, melhorando a
eficácia da prevenção primária.

 

avc em jovens

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